12/04/2004 11:49
Enfim, de volta, com novo blog e entusiasmo renovado. À este blog deixo a prateleira da estante para que fique arquivado ali, um pedaço da minha vida.
O endereço do meu novo diário é www.cotidianopungente.weblogger.com.br

Espero que gostem e que possamos, novamente, manter velhos e novos contatos, trocar idéias e participar, mesmo que minimamente, do pensamento do outro.

Abraço a todos que fizeram comigo este diário!

enviada por Sérgio Vilar



06/04/2004 16:57
Povo amigo, para os que estranharam a minha longa ausência, explico-lhes que não é exatamente por falta de tempo, e sim de estímulo para continuar neste blig (agora não podemos mais nem mexer no html do blog!) O tempo está curto, realmente, mas sempre arrumei umas brechas entre um minuto e outro para conversar com meu diário, com vocês. É que estou mudando de endereço. Quando montar meu blog, ou melhor, quando alguém se dispuser a me ajudar a montar (não manjo NADA de html..rs) eu venho aqui avisar meu novo endereço, e isso será muito em breve, espero!..rs

Abraço a todos!
enviada por Sérgio Vilar



31/03/2004 00:53
Em função do tempo escasso e dos últimos posts de cunho mais reflexivo, deixo um texto que fiz há algum tempo, mais ameno e, principalmente, curto!..rs.. Quando vi o tamanho que ficou o último não pensei que passariam de 3 comentários.

MEUS CORAÇÕES


Alguma coisa acontece no meu coração quando passo os olhos por entre os fenômenos espaciais do tempo: o pretérito fugidio, de saudades e lições, de lembranças longínquas e próximas, que remetem fatos, nunca hipóteses; o agora, o presente, vizinho do passado, a realidade que vai passando e construindo as memórias, que parece infinito, mas que facilmente é abordado de supetão pelo seu pior inimigo: a morte; o futuro, que a Deus pertence, pode também ter projeto próprio, que podem tropeçar nas linhas tortas do escrito certo, que se apresentam de muletas e bengalas, ou se despedindo repentinamente do presente.

Já tive coração inocente, tanto que não sabia onde, quando ou o quanto batia. Época de formulações, de liberdade, onde quase tudo era permitido. A essência ainda frágil era ávida pela solidez da personalidade. Naqueles primeiros anos, meu coração era uma canoa pequenina, que sobre as toras de coqueiros, repousava na alva areia das praias potiguares, mirando o horizonte infinito e os mistérios do além mar. Esperando para se lançar nas águas da vida, no mundo das descobertas.

Já tive coração moleque, que com o perdão da ambigüidade, não parava um minuto, irrequieto, alegre, que já sentia, mesmo ainda inocente, os batimentos fortes de um outro coração. Eram as descobertas propícias que o maestro tempo entoava para um coração confuso, mas disposto a entender as nuances do amor. Naqueles bons tempos, meu coração era uma catraia: navegação de mares pequenos, mas que se aventura nas grandes pescarias.

Já tive coração valente, desbravador, quando do fim da adolescência, em que seus batimentos carregavam uma branda rebeldia aparentemente sem causa. Nesta época, navegava como paquete, ainda sem bússola ou mapa correto. Com sua única vela içada, já andava por marés altas, com orientações superiores de um vento que ora respeitava, ora testava suas forças, adquirindo a experiência dos bons tratos com a natureza.

Hoje, meu coração é um grande saveiro, que já com algumas viagens marítimas, recolhe sua âncora, soltando as amarras e içando suas velas, preparando-se para uma grande e eterna pescaria, ciente dos grandes arrecifes, nevoeiros, do perigo iminente que os mistérios do mar oculta.

Não invejo os navios cargueiros e mercantes, que passam a vida em rotas previstas, transportando cargas pesadas. Tenho apenas a pretensão de que com muito tempo de navegação e pescados, minha embarcação não fique à deriva ou sofra um naufrágio repentino; que eu possa soltar a poita do meu barco, recolher meus tresmalhos e varas e junto com meus tripulantes, degustar os peixes fresquinhos entulhados nos samburás, banhados pela luz da lua cheia, rodeado da brisa e da tranqüilidade proporcionada pelo esforço dos anos, de insistente descobridor dos segredos marítimos.

Meu coração, um dia qualquer, pertencerá às marés, ao pôr-do-sol, aos ventos do atlântico, aos pescadores e tripulantes que conquistei. Neste dia, meu coração não mais navegará nos mares da vida, e sim, será o próprio mar.

Publicado em 16 de dezembro de 2002 – Jornal de Hoje.

MUDANDO DE CONVERSA: A lua já está com quase 9 meses de gravidez! Vai estar, como sempre, linda daqui há alguns dias................. Passeando pelos condomínios vizinhos destes bairros blogueiros, aproveitei a seleção que o Diego (Conexões Lisérgicas) fez como os filmes preferidos dele e resolvi alugar um. “Réquiem para um Sonho” é minha dica de hoje. Entrou nos meus favoritos também................... Não vou mais reclamar de tempo; prometo que é a última vez, mas estou sonhando com a semana santa na minha pacata Santa Rita.................. O Ronald Golias ta meio mal. Sou o maior fãnzão do cara. É dos poucos, juntamente com o Tiririca (rs), que ainda me fazem rir nessa televisão brasileira.........

“Apenas desejo a tranquilidade e o descanso, que são os bens que os mais poderosos reis da terra não podem conceder a quem os não pode tomar pelas suas próprias mãos”.

René Descartes

enviada por Sérgio Vilar



28/03/2004 15:43
Excessos. É disto que nos alimentamos cada dia. Não há mais espaços para reflexões, sonhos, para construirmos nossa realidade. O desejo está se afunilando. A abundância de imagens, a multiplicidade de signos que rodeiam nosso campo de visão não nos deixa pensar. As imagens, hoje, tentam nos vender conceitos. A sensação é de sufoco, de eterna luta entre nosso livre-arbítrio e a realidade alheia, de imagens prontas.

Assisti agora a pouco o documentário “Janelas da Alma”, que aborda diferentes vertentes da visão, com depoimentos curiosíssimos, que realmente nos abrem a mente para novos universos. Hermeto Pascal, Walter Lima Junior, entre outras esclarecidas opiniões podem ser “vistas”. Mas a metáfora que o José Saramago expôs me chamou atenção. Ele trouxe de volta a parábola da Alegoria da Caverna, de Platão, para retratar nossos dias. Na Grécia Antiga Platão nos alertava sobre a existência de mundos paralelos. Segundo a parábola, a maioria dos seres humanos encontra-se presos em uma caverna, permanecendo de costas para a abertura luminosa e de frente para a parede escura do fundo. Devido a uma luz que entra na caverna, o prisioneiro contempla na parede do fundo as projeções dos seres que compõem a realidade. Como essas pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que vêem são as únicas coisas que existem, ou seja, este mundo das sombras representa tudo o que nós sentimos e vemos e que pensamos ser tudo o que existe, tudo o que há de real.

Supondo que uma pessoa consiga se libertar da prisão, ela verá pela primeira vez todos os contornos precisos do que até então só via em sombras, e aos poucos vai compreendendo que as figuras trêmulas da parede da caverna não passam de imitações da realidade, que tudo o que ele pensava ser o verdadeiro mundo eram nada mais que idéias imperfeitas.

Após séculos esse pensamento nos vem à tona de uma maneira extremamente lúcida. As imagens, hoje, falam por si; é o nosso mundo, nossa falsa idéia de realidade, nossas sombras. Esta abundância de conceitos pré-estabelecidos fecham as portas dos sentidos, não nos permitindo enxergar nosso interior.

O Hermeto Pascal falou uma coisa bacana: ele disse que quando tinha uns 30 anos chegou a rezar para Deus para que ficasse cego, pois achava que a visão limitava muito a vida. Após perder realmente a visão, ele diz que enxerga muito mais que muita gente.

As imagens são espécies de emoções codificadas. Cada imagem é impregnada com nossas emoções. Se virmos a imagem do nosso pai, mãe, desprovidos de emoção, não os reconheceríamos; é uma doença: mal de Capgrass. Isso é curioso e difícil de imaginar.

Tinha também um fotógrafo que era cego mas que se guiava pelos sons, pelo tato e, sobretudo, pela imaginação, além de uma notável habilidade de percepção que ele adquiriu com a cegueira. Suas fotos são magníficas, ricas em criatividade; verdadeiras obras de arte, pois chegam mais perto da primazia dos significados, pois estão desprovidos de conceitos, uma vez que ele se guia pela intuição. Uma outra curiosidade é que as pessoas que se deixam fotografar, ficam mais soltas, espontâneas, não tem a vergonha costumeira, fazendo poses artificiais e negando-se a si mesma, pois sabem que, como cego, o fotógrafo não as está vendo. É como aquelas baboseiras que fazemos no espelho do elevador..rs.. Dessa maneira, ele capta a essência dos olhares.

Uma foto bacana foi a que ele tirou de sua sobrinha. Ele pediu para que ela segurasse um sino e corresse pelos campos. A distância da foto era relativamente grande. Ele disse que tentou fotografar o sino, mas, no entanto, apareceu a imagem de sua sobrinha. "Foi a foto do invisível". Uma bela foto.

Hoje o que vemos são pessoas que enxergam pela visão dos outros, influenciadas, alienadas; pessoas que não conseguem ver com a mente, com as mãos, com a imaginação... Pessoas que só enxergam o que há, o que está escancarado, quase que empurrado para que você o veja. Não gosto de aforismos, mas o pior cego é mesmo o que não quer enxergar...

Estes são alguns dos depoimentos, dos muitos que estão no documentário. Tentei trazer aí os mais representativos. Vale a pena dar uma olhada neste filme. Escrevi muito rapidamente e falei pouco sobre ele. A riqueza é muito maior. Pelo menos pra mim, é um daqueles filmes que mudam sua vida, pois lhe apresenta outros mundos, idéias do qual ainda não havia explorado.

MUDANDO DE CONVERSA: que sacanagem que o blig fez. Sem aviso prévio reduziu a capacidade de armazenamento de 5 megas para 1 mega, destruindo vários dias de vida aqui escritos, confinados, retratados, expostos e comentados. É um pouco da vida da gente que está aqui. Acho que deveria haver mais respeito. Muitas amigas e amigos blogueiros perderam quase tudo que haviam escrito e com raiva, mudaram de endereço. Por sorte não coloco muitas imagens e meu espaço pouco tinha sido aproveitado. Mas se tinha 11% gasto, já está em mais de 50% agora. Não sei quais foram as razões, mas o espaço está aí (é deles mesmo) para a defesa.................. O tal do Madame Satã, filme nacional, tendo o Lázaro Ramos como protagonista, apesar do bom trabalho do rapaz, num gostei muito do filme não.................. Uma do Veríssimo: “A inveja é uma forma de admiração”.................. Uma deu mesmo: “A vergonha é uma forma de medo”................. Cada vez gosto mais das músicas da Joan Baez. É uma voz que passeia entre a ópera e o blues, com pitadas de Janis Joplin.........

“A realidade não é externa. A realidade só existe no espírito, e em nenhuma outra parte”.

George Orwell, escritor e autor de “1984”.

enviada por Sérgio Vilar



24/03/2004 22:12
A cada dia tenho mais certeza que as distorções são cruciais para manter a sanidade mental. Alimentar fantasias, construir mundos utópicos me parecem, por vezes, nos remeter a uma realidade mais próxima da verdade. É mais ou menos como empurrar uma subjetividade exagerada, os sentidos puros à frente da fila, deixando a racionalidade para trás.

Os gregos antigos utilizavam muito este artifício; suas emoções eram fundamentadas no mito. Os gregos aceitam mais facilmente algo semelhante ao sonho do que um cientista, por exemplo. A loucura, a fantasia é essencial aos sábios. Todos eles carregam boas doses de loucura. Talvez seja melhor o desprendimento do que a obrigação de mentir segundo convenções sólidas. As próprias verdades são ilusões em potencial. Pascal tem razão quando afirma que, se todas as noites nos viesse o mesmo sonho, ficaríamos tão ocupados com ele como com as coisas que vemos cada dia: “Se um trabalhador manual tivesse certeza de sonhar cada noite, doze horas a fio, que é rei, acredito”, diz Pascal, “que seria tão feliz quanto um rei que todas as noites durante doze horas sonhasse que é um trabalhador manual”.

Sendo assim, a cada instante tudo torna-se possível, como em um sonho. O próprio homem é propenso a deixar-se enganar, enfeitiçando-se por uma felicidade mentirosa. A fantasia não deixa de funcionar como um refúgio, um escudo para combater a enxurrada de falsas verdades racionalizadas, de conceitos rígidos e limitados. A intuição é mesmo uma indigente neste cotidiano.

Mas tanto o homem racional precisa da intuição, dos sentidos, da arte, como o ser intuitivo necessita da razão para ter certo domínio da vida. Qualidades como a prudência, a regularidade encontram-se no baú da razão e são essenciais para que a vida não se revista de aparências e belezas, e os impulsos não sejam os condutores do futuro.

O homem intuitivo, abstrato tem dificuldades em aprender com a experiência, pois é desprovido da razão. Por este mesmo motivo também sofre com mais freqüência, caindo sempre no mesmo buraco, mas sofre com tamanha irracionalidade que não consegue disfarçar: chora alto, berra, responde aos impulsos. O homem instruído pela experiência se utiliza das máscaras sorridentes, escondendo a dor que corrói, mas que não altera o equilíbrio dos seus traços, do seu caminhar, e assim ele segue, carregando em seu olhar, o chumbo da razão.

MUDANDO DE CONVERSA: a mama chegou de viagem (Rio de Janeiro) e trouxe, de uma bienal que estava rolando por lá, uns 7 livros, relativamente grossos, pra mim ler. Terei boas distrações para a semana santa. Um deles me interessou muitíssimo: O Velho Mundo Desce aos Infernos, de Dolf Oehler. É uma auto-análise da modernidade após o trauma de junho de 1848, em Paris................... O Antônio Jr. (No Silêncio da Noite) escreveu um texto muito interessante, que de certa forma até complementa o que escrevi aqui. Vale dar uma olhada.................... Vendo o blog da Rapha (La Dolce Vitta) tinha lá uma pergunta bem interessante: Se sua vida fosse um filme, qual seria sua trilha sonora?................... Iria colocar uma citação mais densa, mas essa do Millôr me arrancou um riso mais gostoso e menos irônico:

“O perigo da meia verdade é você dizer exatamente a metade que é mentira”

Millôr Fernandez

enviada por Sérgio Vilar



22/03/2004 18:20
Não sei mesmo o que escrever. Mesmo após o final de semana onde normalmente batemos de cara com as novidades e os acasos, não os encontrei. A mesmice segue lerda por onde minha visão alcança. Até as nuvens parecem as mesmas. Se já não vejo as tardes infindáveis da minha janela, em função da mudança no horário de trabalho, vejo o entardecer cansado e cinzento ao sair da labuta diária.

No ônibus, palco notório para temas de cronistas, vejo expressões desoladas, sem esperanças. Alguns cochilam e não ligam para alguns freios mais bruscos. Outros, em transe ficam, olhando para a frente, para o nada. A maioria permanece sisuda, com a testa engilhada e os olhos diminutos, como se estivessem levando sol. Parecem carregar preocupações constantes. São pouquíssimas as pessoas com semblante alegre, e quando as tem, é porque estão em turma e o papo rola solto. É como se sozinhos nossos monstros cotidianos nos invadissem a lembrança, não nos deixando esquecer da nossa mediocridade, não permitindo distrações que, na certa, amenizariam nossos fardos.

Sou apenas mais um no ônibus, na rua, na vida; mais um rosto, mais um que observa, pelas ventanas do ônibus, as cenas das calçadas à direita. Pessoas apressadas olhando no relógio, pessoas desconfiadas, estressadas, homens olhando ávidos pela bunda da menina que passa, a guerra do trânsito...

Hoje, mesmo em pé no ônibus, fiquei pensando no destino. Existe? Não acredito. Talvez seja apenas uma denominação romântica para o futuro. Mas seja ele qual for, não quero que minha face permaneça preocupada. Ponho diariamente um tijolo de sabedoria em meus princípios, em minha filosofia de vida, em minhas atitudes e pensamentos. E sábios, ao meu ver, são alegres pois conhecem muito das facetas da vida e sabem jogar com elas, angariando todo o néctar de felicidade que ela possa brotar. É isso que quero. Não quero dinheiro ou uma vida normal e pacata; não exatamente, mas a sabedoria para que eu possa rir, rir da falsa riqueza, dos problemas que batem constantemente em minha porta, rir da aparente gravidade da vida, enfim, ser um ser colorido em meio ao cinza.

MUDANDO DE CONVERSA: a impressão que eu tenho é que já passaram uns 70 dias depois do carnaval. Ô quaresma demorada!................... Recomendo que vejam o filme “As Horas”, principalmente quem gosta e já leu a obra de Wirgínia Woolf................... O que era aquilo ontem no BBB4? Nossa programação dominical fechou com chave de ouro ontem com aquela baixaria da discussão entre aquelas senhoras. Tudo televisionado. E a “Sol” ao, se olhar no espelho, se achou masoquista, querendo dizer que era muito narcisista. Um banho de conhecimento..rs.........

“Disparo contra o sol, sou forte, sou por acaso; minha metralhadora cheia de mágoas... Eu sou um cara cansado de correr na direção contrária, sem podium de chegada ou beijo de namorada. Eu sou mais um cara”.

Cazuza

enviada por Sérgio Vilar



18/03/2004 11:44
Acho que a palavra mais usada neste diário foi Nostalgia e Angústia. Sempre cito-as; talvez por impulso do inconsciente ou por não haver outra tão precisa para demonstrar as saudades que tenho de minha infância, dos tempos onde os problemas, mesmo sendo apenas brinquedos menores, não afetavam o caminhar da vida com tamanha profusão, acumulando dúvidas cruéis, dolorosas, indeléveis, fazendo da Angústia uma parceira constante e indesejada.

São muitas as Saudades, esta palavra inexistente em línguas estrangeiras. Às vezes é tão pungente que penso que só eu a compreendo em todas as suas vertentes e nuances, e a carrego em uma sacola colorida e pesada.

Saudades do tempo de colégio, das brincadeiras da minha antiga rua de paralelepípedos, nas tardes em cima dos jambeiros... Tardes que se arrastavam preguiçosamente como testemunha de uma vida desbravadora e inocente, repleta de sonhos e alegria, de um amor ainda acumulado e vivo.

Hoje, carrego o fardo das frustrações. As fontes secaram e poucas são as chuvas que a abastecem. Não acredito mais em sonhos. Não acredito mais em paz. Não acredito mais em igualdade. Não acredito mais na moral. Não acredito mais nos outros. Não acredito mais em mim. Do escasso pó de energia que me resta tento transformá-la em fé; não a fé desesperada de alguém que nada tem e necessita de algo à se apegar. Mas uma fé verdadeira, de entrega, de busca. Algo que seja um convidado sempre presente em meu mundo de ceticismo, e que consiga dialogar e argumentar acerca das falsas certezas ou das aparentes mentiras da vida, mostrando-me a estrada correta, em um percurso solitário, um caminho que poucos vêem.

Cético? Radical? Talvez... Mas foram os radicais que mudaram o mundo, através da defesa incansável e absoluta de suas ideologias. Muitos morreram: Jesus, Sócrates, Giordano Bruno... Isso para citar conhecidos e notáveis nomes. Outros definharam até a morte, como São Francisco, acreditando em uma causa, em um Deus, baseado em uma fé praticamente inalcançável, sobretudo nos dias de hoje. Mas não tenho forças para conquistar tamanha fé, embora a busque incessantemente. Meu espírito revolucionário ainda espera, como um cão de guarda, embora já cansado, o exército da solidariedade e da ética marcharem. Mas, infelizmente, as guerras hoje são outras.

MUDANDO DE CONVERSA: Quem tiver algum material sobre casas do futuro, por favor, mande-o para meu e-mail. Tem um link logo aí em cima................... Que legal, meu blog saiu no Blogtimes (www.blogtimes.blogger.com.br). Mais uma boa surpresa que este diário me reserva. Em outra ocasião ele saiu no Jornal do Blogueiro................... Sábado rola Blackout! A Noite dos Desejos, com 6 bandas locais, 3 palcos e, pra quem gosta, mais uns 3 dêjota.................... Onde é que se escondeu o tempo hein? Passei em branco na atualização da minha coluna no planetajota. Quanta irresponsabilidade.................... Uma dica bacana de leitura é o texto do Antônio Jr, que fala sobre o amor contemporâneo. Está logo aí do lado, é o blog No Silêncio da Noite............

“Nostalgia é querermos voltar para um lugar que nunca existiu”

Millôr Fernandes

enviada por Sérgio Vilar



16/03/2004 17:52
O dia da poesia passou em branco por este diário verde. Foi dia 14. Juro que não sabia. Não fosse o comentário do talentoso escritor potiguar, Pablo Capistrano, ao responder um e-mail que eu o enviara, não ficaria nem sabendo.

Mas, claro, o teor do e-mail não foi esse. Em razão de um artigo seu, publicado sexta-feira em O Jornal de Hoje, questionando o método científico, teci elogios à suas palavras, como sempre, muito esclarecidas e embasadas (calma, não sou parente dele, mas o sujeito é realmente dos melhores escritores e intelectuais que nós temos nessa terra de Poti).

Acho mesmo que, sem querer falar difícil, está tudo errado. As relações humanas são fundamentadas em valores superficiais e desgastados, a organização social não consegue desgrudar-se de um legado cruel e devastador e segue se arrastando como lagartos, acreditando – e apenas acreditando e não fazendo –, em casulos e borboletas, em idéias românticas e líricas de um mundo utópico que cada vez mais se afasta dos nossos horizontes, onde a ética faça parte do ar que respiramos e as morais, sejam elas leis ou valores, sejam sólidas, banhadas pelo perfume do bom senso, e não do senso comum.

Um dos aspectos desta desorganização mundial, nas mais distintas esferas do comportamento social, é a questão do método científico. A confiança exagerada na ciência positiva pode causar algumas distorções, como afirma Pablo em seu e-mail. É urgente um enfoque mais relevante à ontologia. O avanço tecnológico desenfreado está tornando uma ciência demasiado exata, ainda mais distante das suas bases filosóficas. A ciência surgiu a partir da filosofia, mas de lá para cá vem perdendo seu posto de mãe das ciências humanas para a precisão das máquinas ou das experiências empíricas.

Adotando caminhos opostos que ao da literatura ou da filosofia, a ciência não consegue humanizar-se, socializar-se e, dessa maneira, não consegue penetrar em âmbitos de cunho mais humano, subjetivo. A ciência torna-se incompleta e restrita.

Os métodos científicos e os resultados por ele obtidos necessitam – e os cientistas são conscientes disso – de que sejam conhecidos, socializados. A ciência precisa de uma abrangência maior de entendimento e para isto deve ser irmã do jornalismo, da mídia. Assim como o jornalismo deve procurar entender a linguagem científica e transmiti-la de forma coerente e simples aos seus receptores.

Estamos formando cidadãos técnicos, mecanicistas, sem noções relativas e/ou subjetivas acerca do mundo e de si mesmo, como bem lembrou Pablo Capistrano, através de alguns dados: “pena que hoje a formação de nossos alunos do ensino fundamental (e principalmente do médio) abandonou a base filosófica, literária e artística. Só para você ter uma idéia nossos alunos tem uma média de 30 horas de aulas semanais. dessas 22 horas são destinadas a conteúdos "técnicos" (biologia, física, química, matemática e português – que é uma espécie de lingüística aplicada) sobram 8 horas para as humanidades (3 para história e 3 para a geografia), às vezes 2 ou 1 para literatura. No ensino médio as artes desaparecem (trocam no primeiro ano, artes, por desenho geométrico) e a filosofia e a sociologia, quando muito, em algumas escolas, tem uma aula por semana”.

Está tudo errado. É triste!

MUDANDO DE CONVERSA: O tal do vírus da gripe (este, da safra nova) saiu de sua catacumba e resolveu aparecer novamente. Tô só o bagaço!.................. Amanhã, às 7h30 da matina, no auditório da FIERN, acontece o lançamento do Dia Global do Voluntariado Jovem no Brasil, onde o Natal Voluntários foi escolhido como Organização que coordenará, nacionalmente, este acontecimento. Mais de 100 países também participam. Na ocasião será lida uma mensagem que o Lulinha Paz e Amor nos mandou, incentivando a ação voluntária................. êeee, tirei nota máxima em minha matéria sobre a João Chaves. Até que valeu a trabalheira................. Vou encher o saco de vocês com as frases dilacerantes do Millôr fernandes. Olhem essa que vi hoje:

“Os 10 mandamentos nunca impediram nada. Mas deram cada idéia!”

É pano pra muita discussão..rs...

enviada por Sérgio Vilar



13/03/2004 19:33
Para quem não é de Natal talvez fique um pouco perdido, mas mesmo assim dá pra imaginar a situação..rs

MEU PRIMEIRO ÔNIBUS


Ligo pro meu irmão.
- O carro sai hoje da oficina? Tenho que ir treinar.
- Nada! Tá pensando que a batida que você deu foi pequena? Crie vergonha e aprenda a pegar ÔNIBUS.

Já estava mesmo na hora, 19 anos e nunca tinha pego um ônibus sozinho. Antes do carro, que só dirigi mesmo após a maioridade, costumava ir andando, seja para o colégio, casa da namorada ou para a cervejinha do fim-de-semana, o que me rendeu o apelido de Andarilho. Mas agora, mal acostumado ante o conforto do automóvel e a grande distância da Academia de capoeira para a minha casa (moro no Tirol. A Academia fica no Campus Universitário) não me restaram alternativas: criei vergonha.

- Diga aí Capacete?! Ei, tu que mora aqui perto de casa, qual o ÔNIBUS que eu pego pra Academia?
- Rapaz, o “45” ou o “53”. Aproveita e diz pro Mestre que num vou poder ir hoje.
- O telefone tá com um chiado danado! Os ônibus são só esses dois mesmo? O “45” e o “46”... alô, Capacete?! Puts, caiu a linha...

Lá estava eu na parada. Situação nova. Dentre todos era o mais atento a passagem dos ônibus. Lia tudo que vinha em sua fachada: idaalecrimvoltapraçacidsatéliteribeira... tudo, a fim de ir me familiarizando com a nova rotina.

Vinte minutos e nada. Era só eu na sombra do poste (a única da parada), mas, como uma miragem do deserto, o “46” aparece. Que sorte! Após observar o comportamento dos usuários durante aqueles longos minutos, levanto magistralmente, com autoridade de veterano, o braço e peço parada. Lógico, sem nem desconfiar que se o telefonema não chiasse tanto, o “46” em que me opunha naquele momento, deveria ser o “53”.

Após o pagamento da passagem e alguns desequilíbrios bruscos e consequentes risadas, passo a roleta e vejo todos os bancos ocupados. Tive uma lembrança idiota do filme Ben-Hur, com aqueles escravos remadores no porão do navio, situados exatamente na esquerda e na direita, divididos por um corredozito onde desfilava o capataz com seu chicote. Seria eu? Havia, inclusive, algumas pessoas com a expressão sofrida do Charlton Heston: deviam ter remado muito naquele dia. Enquanto divagava estas bobagens, uma fileira de estudantes atrás de mim esperava impaciente minha decisão. Adiantei-me desengonçadamente e por um tempo, segui em pé o trajeto, o que causou mais desequilíbrios. Cheguei até a pedir desculpas a uma senhora, dizendo que não era minha intenção sentar em seu colo.

Para minha surpresa, o dito ônibus segue firme pela BR em vez de fazer o retorno que me levaria ao Campus: o “46” era o “Ponta Negra! Faz mal não, na volta, quando passar pelo Shopping, eu desço e vou andando, sempre fiz isso! – penso eu.

Depois de contornar TODO o conjunto de Ponta Negra – e juro, pensei que fosse só pra me fazer raiva – o ÔNIBUS pára no terminal, com a seguida frase do motorista: “Ufa, até que enfim! – e não precisa dizer que eu era o único passageiro.

- Como assim, até que enfim? Num volta pro Tirol mais não? E como eu faço para ir pro Campus?
- Pega o que está saindo aí na frente!
- Saltei do ônibus mais com vergonha do motorista do que para, sem saber, pegar meu segundo ônibus errado. Desta vez, acomodado como um rei em seu trono, fui admirando a bela praia do bairro enquanto seguia pela Av. Roberto Freire, quando este imenso enlatado de merda dobra a direita, rumo a Via Costeira. Desesperado chego ao cúmulo de afirmar ao motorista, na certa com alguns anos de profissão, de que estava equivocado e que a Universidade ficava do lado esquerdo. E mais mar na minha frente.

Bom, para encurtar a história, fui acabar na parada em frente ao ITORN, em Petrópoles, para esperar traumatizado, o “45” e seguir não mais para o treino que já devia ter acabado, mas para meu lar, meu doce lar...

Publicado em 30 de setembro de 2002 – Jornal de Hoje.

MUDANDO DE CONVERSA: Nossa mãe, quanta coisa pra mim fazer e eu aqui. E ainda por cima talvez ainda dê uma saída hoje, mas é uma estratégia para amanhã estar tranquilo para estudar e fazer a bendita matéria. Acabei ficando preso também por uns dias..rs......... Para as pessoas que pediram, meu msn é oleelewis@hotmail.com.......... Q bacana! A Maria Rita, a filhinha dela mesmo, que a globo tentou fazer de estrela (mas ela canta mesmo!) vai ser a, digamos, garota propaganda do programa de mutirão q a ong q estagio vai realizar. Bacana seu gesto.......... Acabo de assistir o filme "Amarelo Manga", sensacional, embora a película mais ou menos amarelo manga..rs.. cause certo enjôo..... Bom resto de fim de semana!

"Os muros e as grades nos protejem do nosso próprio mal"

Engenheiros do Hawaii

enviada por Sérgio Vilar



11/03/2004 00:19
Prometo que a novela das delegacias acaba hoje. Mas acaba sem eu conseguir entrar na &5#*%$ da ala masculina de regime fechado da penitenciária, com seu pomposo nome de Complexo Penal Dr João Chaves. Dessa vez o motivo foi que, para meu azar, era dia de visita íntima. Sugeri ir amanhã, quinta, mas o diretor descartou definitivamente a possibilidade: “Olha, nós teríamos que mobilizar a ROCAM para dar todo um aparato de segurança pra vocês (eu e o colega que iria bater as fotos), e é uma trabalheira danada...”. Paciência, fazer o quê?

Mas, enquanto fazia mais algumas perguntas ao diretor pra, pelo menos, complementar alguma coisa da minha matéria, dois presos que cumprem pena em regime aberto e semi-aberto apareceram por lá para assinar o ponto diário e obrigatório. O primeiro, confesso, foi difícil entender o que o sujeito dizia. Foi preso em 89 e fugiu logo em seguida, sendo recapturado somente em 99. Por bom comportamento, está há 4 anos em regime aberto. É aposentado por invalidez: possui uma perna manca, decorrente de troca de tiros com a polícia. O outro, uma figuraça, já chegou conversando. Estava em regime semi-aberto por motivo da Casa Albergue, que funciona dentro da João Chaves, para detentos em regime aberto, estar lotada. Mas o tratamento dado é o de regime aberto: ele vai apenas assinar o ponto. Minha surpresa veio ao perguntar onde trabalha atualmente (condição primordial para conseguir a condição de regime aberto). Resposta: “Tenho uma barraca na praia de Santa Rita”. “Coooomo é homi?”. “É a barraca do Nogueirão, fica logo depois do restaurante Caminho de Genipabu”. Simplesmente quase vizinho lá da casa que tenho na minha santa praia de Santa Rita.

Colhi alguns dados do sujeito: Jerônimo Nogueira de Lucena Neto, 33 anos, cumpre pena de 22 anos. Já passou 8 anos em regime fechado, sendo 3 anos em Mossoró, 5 na João Chaves e 1 em Alcançuz, onde afirma que encontrou sua recuperação. Confessa que ainda é viciado em Crack e Maconha, mas que só busca as drogas em momentos difíceis. Procurou clínicas de desintoxicação, mas como sabemos, aqui no Estado não existe. Tentou instituições que abrigam pessoas em suas condições, como o Desafio Jovem, um programa da Igreja Batista, passando lá 60 dias, mas como disse: “Não era a palavra de Deus que eu estava buscando, era um especialista”. Mas se mostrou uma pessoa de fé e deve a Deus sua reabilitação, assim como ao antigo diretor de Alcaçuz, um tal de Igor.

Como a conversa acabou repentinamente, pois ele despediu-se já correndo para pegar seu ônibus, decidimos ir procurar a barraca, inclusive, para bater as fotos. De carro, chegamos primeiro, tomamos uma água de côco e o esperamos. Não demorou. Abriu um largo sorriso ao nos ver e pediu para esperar. Entrou na barraca (local onde mora também) e voltou mais despojado, sem camisa e com óculos escuro. Não tinha nunca uma aparência de ex-detento, ou mesmo de quem escondia tantas histórias de trocas de tiros com a polícia (ele mostrou 3 marcas de bala no corpo) ou de brigas internas no presídio. Parecia mesmo de bem com a vida. Grande figura. Prometemos voltar lá pra tomar uma..rs

O colega que foi comigo lembrou bem: “Como é interessante o rumo que as coisas tomam”. Há os que saem da prisão e voltam diretamente para o crime. Mas também é preciso entender que, como afirmou o primeiro “entrevistado”, ninguém quer oferecer emprego para preso. As condições são difíceis. Muitas vezes não há solução, perspectiva e o sistema empurra novamente para o lado negro da vida. Outros, como o Jerônimo, voltam para junto da família, para sua barraca, de frente para o paraíso de Santa Rita, para o mar: a visão mais libertadora desse mundo de meu Deus.

MUDANDO DE CONVERSA: coloquei aí um marcador de visitas. Pois é, 88 visitas tem nesse instante momento e 12 comentários. E quando coloquei já tinham 6!..rs.. Mas volto a agradecer a amilga Aninha que conseguiu colocar meu singelo perfil e ensinou a botar o marcador................. Amanhã ainda vou atrás do promotor de justiça que tem a posse do relatório do presídio. Ô negocin trabalhoso................. Vou trabalhar de tarde agora. Sentirei falta das tardes arrastadas que moram dentro da moldura da minha janela................. Poucas vezes fiquei tão ansioso para ver um filme: Adeus, Lênin. Pelas resenhas que vi é o típico filme que vou gostar, como bom socialista utópico que sou................. O programa do Antônio Abujanra, Provocações, acabou foi?.................. Já ía me esquecendo. Sabe quando o sujeito transa com uma mulher bonita e famosa e não conta pra ninguém? Não tem graça, né?..rs.. Pois é, o release que fiz para o programa TEMPO, que a ong Natal Voluntários está realizando neste dia 20, saiu no site das Nações Unidas.. han han..rs.. Não sei se isso é vaidade besta, mas tinha que dizer..rs......... Tenho que citar Millôr mais uma vez pra justificar....

“Ninguém jamais atingiu a satisfação total de sua vaidade”, ou “Não ter vaidade é a maior de todas”, ou, uma mais arrogante: “Vaidade – excremento do talento”.

Todas fantásticas, do Millôr Fernandes

enviada por Sérgio Vilar



08/03/2004 22:19
Não iria escrever hoje. Cheguei da faculdade e estou meio cansado, mas estou prevendo correria e falta de tempo para os próximos dias. O prazo final para a entrega da matéria que resolvi fazer no complexo penal da João Chaves é segunda e apenas falei com o diretor de lá. Tentei falar com o major do Corpo de Bombeiros que elaborou um relatório do presídio para encaminhar para o promotor de justiça Eduardo Cavalcanti (que nem ao menos tenho o telefone ainda), além da Covisa, que também fez seu relatório sobre as condições sanitárias do local. Não consegui falar com NINGUÉM! Vou ver se, pelo menos, amanhã consigo entrar na ala interna do presídio e adianto boa parte da matéria. Se eu tivesse a moral de dizer que era pra um grande jornal num instante conseguiria, mas como um pobre estudante, é phoda!

Sexta, ao ser negada a minha entrada no Caldeirão do Diabo (Esse nome, hoje, é lenda. Ta a maior mamata lá). Fui ser o “fotógrafo” da minha colega de turma e fomos na 13º Delegacia da Redinha, uma das 3, se não me engano, delegacias de mulheres do Estado.

Embora a Delegacia estivesse bem estruturada fisicamente, as condições de higiene eram boas, etc, a lotação das selas me chamou atenção. Cerca de 12 presas dividiam uma mesma sela. Redes nas mais variadas alturas constituíam a característica predominante. Colchões finos espalhados no chão, bolsas colocadas aleatoriamente em “prateleiras” e varais com roupas estendidas, na própria sela, era o quadro que via, em meio as grades.

Reclamações mesmo, só quando estavam doentes e os remédios ou os médicos demoravam, quando vinham, a chegar. Não haviam brigas e a camaradagem entre elas me pareceu verdadeira. O lesbianismo, lógico, comia solto lá..rs.. Embora em má situação, ainda conservavam alguma vaidade, considerando as circunstâncias. Acho que o que as maltratavam mesmo ainda eram as drogas. Uma das acusadas, que se dizia O Garanhão de lá (parecia mesmo um homem) me surpreendeu ao afirmar que tinha 19 anos. Daria uns 26. Ela também disse à minha colega que a estava entrevistando, que a grande maioria das presas estavam ali por motivos de tráfico e consumo de drogas. Pesquisas que vi na net também atestam isso.

Após bater as fotos, até tomei um susto com um certo alvoroço repentino. Pra nossa grata surpresa, uma das presas, conhecida como Palhacinha, estava sendo libertada naquele exato momento, após 1 mês trancafiada, segundo ela, injustamente. Não pensem que todas se julgam inocentes. Das que perguntamos, ela foi a única a afirmar isso. Após sair da sela, foi de joelhos até a saída. Deu vontade de tirar uma foto, mas tive que respeitar sua vontade de não querer aparecer. Daria uma bela imagem. Realmente, como disse em outro post rapidamente, me emocionei com a cena.

Ela, ainda com medo de policiais, não quis ser levada por eles para casa. Como havíamos concluído o trabalho, resolvi dar uma carona até a entrada de Nova Natal, ainda na Zona Norte. Me pareceu ser uma pessoa boa. Aliás, por mais graves que tenham sido os motivos daquela gente, me parecem pessoas aptas de reabilitação, de uma segunda chance.

MUDANDO DE CONVERSA: quanta chuva esse fim de semana. Infelizmente fiquei admirando o mar de Santa Rita da minha varanda, encolhido numa rede................ Amanhã visito os blogs amigos e os que comentaram. Estou meio em falta.................. A pergunta hoje da faculdade, na matéria de jornalismo científico, pra quem quiser dar uma opinião: O método científico afastou a filosofia da ciência?................ Abraço! E mais uma do Millôr pra ilustração do post....

“Por que tanta discussão? Afinal a vida também é uma pena de morte”

Millôr Fernandes

enviada por Sérgio Vilar



06/03/2004 11:52
Essa semana almocei algumas vezes num self-service legalzinho, na Jundiaí, e aqueles negócios que põe embaixo do prato, que agora me deu um branco... num sei quê americano, eram umas estorinhas sobre a origem de muitas coisas: do açaí, da macaxeira, de umas lendas, e tal. Como gosto de ler até bula de remédio, era comendo e lendo estas estorinhas. Teve uma que realmente me chamou atenção: a origem do Sol, segundo a lenda de uma tribo indígena. Chamou-me atenção pelo fato de que atentei-me pelo seguinte: tem cambada de gente mais mentirosa que o índio? Os cara inventa uma estória num sei de onde, viaja geral na maionese, conta pros outros e todo mundo acredita. Se for um Pagé, então, vira crença religiosa..rs

Olha a estória, vou ver se me lembro: o Sol era gente, pra eles, e se chamava KUANDA. Ele tinha três filhos. Certa vez, um índio Juruna, caçando na floresta, deparou-se com KUANDA (o Sol), e num sei porque cargas d’água, o matou com uma flechada, e tudo então escureceu. A esposa de KUANDA (que devia ter um fogo danado..rs) mandou então, os três filhos para clarear o dia: um dos seus filhos aparecia quando o tempo estava bom, o outro quando estava chovendo e o outro quando os dois estavam cansados (é mole?!..rs). Sendo que um dos seus filhos, o que aparecia quando os dois estavam cansadinhos, resolveu fazer a vingança do pai e matar o índio Juruna. Encontrando-o na floresta, ele bobeou e o índio Juruna lhe acertou primeiro, matando-o também. Aí, quando o dia está escuro, é porque os outros dois filhos estão cansados, e o terceiro, que iria lhes substituir, morreu, aí escurece.

Tenha santa paciência; pelamordedeus. Pro cara inventar uma estorieta dessas tem que ter uma plantação de maconha na oca dele e fumar muito baseado ou ter uma imaginação de índio..rs... E a galera lá ainda acredita; eu hein...

Brincadeiras à parte, tenho a maior vontade de conhecer uma tribo indígena, daquelas que ainda conseguem conservar seus costumes. Tenho verdadeira admiração pelo Darci Ribeiro e pelo trabalho que realizou junto aos índios. Talvez seja até o tema da minha monografia; ainda estou pensando. Em antropologia aprendi que não existe cultura mais fraca que outras. A cultura indígena tem muito a nos ensinar, e num é ensinar a mentir não!.rs... Ou também, sei lá..rs.. Analisando pelos olhos da antropologia vemos a riqueza de uma raça, de costumes e valores, de uma cultura que, por ser diferente da nossa, não é menos complexa.

MUDANDO DE CONVERSA: fui ontem no Complexo Penal da João Chaves, mas como estava havendo contagem de presos, o Diretor pediu, por motivos de segurança, que eu voltasse lá na segunda, como se fosse aqui do lado. É phoda! Mas, o dia não foi de todo perdido. Fomos eu e uma colega da faculdade, que iria bater as fotos da minha matéria, e em seguida, fazer a dela na 13º DP, na Redinha, um presídio de mulheres; e eu é que iria bater as fotos, aliás, bati. No próximo post conto detalhes da visita. Confesso que me emocionei num dado momento. Jornalista sem futuro esse..rs.............. Me digam, por favor, umas dicazinhas de filme. Hoje de noite eu vejo e vou alugar. Mas de mentira basta a estória do índio!..rs............... Pô, mas a galera num ta comentando não. É tanta gente que diz q vê isso aqui. Comente e faça um blogueiro feliz................ O trechinho de música vai pra uma amiguinha que fica me chamando de veinho..rs.....

“Deixo tudo assim, não me importo em ver a idade em mim; ouço o que convém. Eu gosto é do gasto...”

hehe, dos Los Hermanos

enviada por Sérgio Vilar



03/03/2004 15:38
Disfarçado de vento, o tempo vai seguindo incansável, percorrendo a quilometragem dos segundos e avançando como larva de um vulcão em erupção, indiferente a tudo, queimando, destruindo, preparando a terra para outras gerações, escondendo fósseis, caveiras que um dia fizeram parte do mundo, da vida material, terrena.

Batem-me sensações estranhas às vezes, de total inutilidade, insignificância. Somos tão pequenos. Fazemos parte de uns poucos anos que pertencem aos bilhões já transcorridos e que transcorrerão. O epílogo do nosso nascimento serve apenas para iniciar a primeira frase do texto da nossa vida, que mal chega a completar uma folha de um extenso livro, escondido em uma biblioteca vasta, na estante da eternidade. Alguns livros possuem mais brilho, são mais cuidados,chamam mais atenção. Outros, estão mais bem localizados e são mais acessados pelos leitores curiosos. Outros mais, vivem abertos, escancarados mesmo para quem não os quer ler

Minha página, tenho certeza, faz parte de um livro grande, de pessoas provincianas, sem maiores glórias. Um livro sem graça, escrito por obrigação, estacionado nas partes mais altas e afastadas da biblioteca. Lá, ganhará poeira. São histórias de inúmeros colecionadores de auroras. Pessoas comuns, sem aventuras, que passaram pelo tempo discretamente. Será um livro de arquivo, sem título nem prefácio.

Minha página ficará amarelada, esquecida. Serão letras vãs. Aos desatentos que, por engano, abrirem o livro em minha página, estes não encontrarão exclamações. Poucos serão os parágrafos; muitas serão as vírgulas. Uma vida sem novidades, de poucos cenários e acasos. Aos mais curiosos, pesquisadores da vida alheia, destacaria o parágrafo em que fala das contemplações, pois para estas cada olho possui uma mira. Nele, encontrarão muito verde a azul, em meio ao cinza e preto que colore as outras linhas.

Como maestro regente, o tempo se encarregará de empurrar o livro em que cabe minha vida para o fundo da estante. Ficará lá guardado um livro sem sumário nem epitáfios; um livro de comuns, recheados de interrogações em cada frase.

MUDANDO DE CONVERSA: amanhã irei ao Complexo da João Chaves novamente. Espero que dê tudo certo................ Quem quiser me dar um presente da páscoa me dê um ovo recheado de tempo e responsabilidade!............... Voltarei a falar no assunto, mas desde já convido a galera para o Mutirão de Plantio de Mudas no Pitimbu. Será uma ação voluntária, organizado pelo Natal Voluntários, no dia 20 de março, sábado, de 14:30. É importante doar um tiquin do seu tempo para uma causa bacana................ Se brincar, semana santa vou pra Santa Rita. Quero nem saber!............... Tem uns trabalhos sem futuro da faculdade que estressa qualquer sujeito. Num vou fazer hoje nem a pau. Num faço e num faço! (biquinho..rs)........ O Millôr concorda com o que disse acima..rs....

“Passei a vida pensando que diabo, afinal, estou fazendo neste mundo. Descobri: nada! Sou visita”.
Millôr Fernandes

enviada por Sérgio Vilar



01/03/2004 15:02
Não sei se vocês viram ontem uma reportagem do fantástico mostrando o assassinato de uma missionária brasileira, da Igreja Luterana, que realizava um trabalho notável em Nampula, que se não me engano, fica em Moçambique.

A irmã Joraci, como foi citada no fantástico, tinha conhecimento sobre o organizado tráfico de órgãos praticado naquele país. Segundo a reportagem do fantástico, a irmã Doraci chegou a passar fome, comendo farinha e água para ajudar os mais necessitados daquela região. Era adorada por muita gente e tinha seu trabalho reconhecido.

A morte desta religiosa logo trouxe-me uma relação imediata com a vida de São Francisco, do qual estou lendo sua biografia. O quê que torna uma pessoa santa? Critérios exatos não podem ser medidos. Porcentagem de santidade, de bondade são inexatos ao extremo. Pessoas como esta irmã não poderiam ser dadas como santas? Quantas pessoas no mundo morrem sem que saibam do seu bonito trabalho ou mesmo da sua intenção de realizar algo em prol dos mais necessitados ou de devoção à Deus, e não conseguem. Desde pequeno ouço falar que o que vale é a intenção. E concordo com isso. Inúmeros fatores exteriores podem interromper algo que o sujeito queria desenvolver e acabou por não conseguir. Já imaginaram se Papa Inocêncio III, da época de São Francisco, resolvesse impedi-lo de pregar e ajudar os moribundos? Não conheceríamos o santo mais popular do mundo. Francisco de Assis foi obrigado a estabelecer uma Ordem para que pudesse realizar seu trabalho, o que era contrário à sua vontade.

Já defendi aqui, em outra oportunidade e em um artigo que escrevi, publicado, inclusive, em 2 jornais locais, sobre a santidade do sertanejo. Eu dizia que se o sertanejo nasceu em condições similares à de Cristo; se vive miseravelmente como optou São Francisco de Assis, Santa Clara e tantos outros que largaram uma vida de regalias para pregar a palavra de Deus e ajudar aos mais pobres; se apesar da má formação religiosa ainda conservam esperança em dias melhores, baseadas em uma fé que não se sabe de onde vem; se não teve oportunidades de ingressar na vida sacra, porque não confirmar que há algo de santo no sertanejo? Como poderia ele erguer Igrejas, pregar um evangelho do qual não conhece, filosofar como São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, se seu beabá é o do cultivo da terra ou o sustento do gado? Como morrer como mártir se a educação não lhe foi dada para fazer triunfar sua ideologia, ou conhecimentos para que pudesse ajudar os doentes moribundos e indigentes, como fez Madre Tereza de Calcutá?

Acredito que há algo de místico, de santo em nosso agreste, no semi-árido nordestino, de paisagem seca e ambiente humilde, cercado de pobreza, do improviso dos curandeiros e parteiras de última hora, do sol a pino. Algo que me faça realmente acreditar que Deus é brasileiro e que Jesus nasceu em Belém, vizinho de Pirpirituba, Serra da Raíz e Caiçara, municípios da Paraíba, região Nordeste deste Brasil.

MUDANDO DE CONVERSA: êta festinha mais sem graça aquela do Oscar. Pode ser que o único ódio que carrego na vida – o dos americanos – possa está ficando doentio, mas tudo que eu via ali me cheirava a propagação da cultura americana. Cidade de Deus tem mesmo é que ser reverenciado aqui, na nossa terrinha. Antes, malandro como o Zé Carioca, que ganancioso como o Tio Patinhas................. Fim de semana tem lua cheia!................. Mais um blog novo: Devaneios do Cotidiano. Textos de muito talento vocês vão ver por lá. O q está lá agora é uma crônica bem realista................. Sessão ignorância: qual é o papel do maestro em uma orquestra? Segundo a observação atenta do meu irmão, ninguém olha pra ele qdo toca. E pra quê ficar olhando aqueles bracinhos balançando como se fosse a asa de uma andorinha, se já sabem a música de có-e-salteado? Tirem-me essa dúvida. Não posso morrer sem saber disso...... Mais uma música cheirando a mato do sertão:

“A lua é clara, o sol tem resto vermelho, é o mar o grande espelho onde os dois vão se mirar. Rosa amarela quando murcha perde o cheiro; o amor é bandoleiro, pode inté custar dinheiro, é flor que não tem cheiro e todo mundo quer cheirar”.

Do estudioso das ciências do sertão, João do Vale

enviada por Sérgio Vilar



29/02/2004 14:02
Texto que fiz sobre a manipulação ideológica exercida pela mídia:

A relação entre a mídia e o homem, em seu contexto social ou cognitivo, adquiriu relevada importância nas discussões da atualidade ante seu inequívoco poder de persuasão e manipulação da opinião pública e na conseqüente formação crítica e reflexiva da sociedade.
Camuflando conceitos ideológicos a mídia dispara rajadas de informações diárias, instantaneamente, em tempo real, construindo um cotidiano sobre uma atmosfera autoritária, embora de forma sutil, de dominação do inconsciente coletivo, estabelecendo um moralismo desprovido de ética e criticismo. Fincado sob um discurso de passividade e incapacidade, promove um poder aparentemente inexistente, mas que invade nossos horizontes. Em tudo o que o pensamento, a percepção, a sensação ou a visão podem alcançar, a máquina midiática está presente, pregando na parede de nossa memória, arquétipos e símbolos que servem de norte para nosso comportamento.
O escritor italiano, Umberto Eco, divide em dois grupos os aspectos do debate: os que desconsideram qualquer aspecto positivo na manipulação da informação; e aqueles que estabelecem relações positivas. No passado não muito longínquo, a mídia foi denominada de “quarto poder” e carregava em seu bojo algo de progressista, de fiscalização dos poderes constituídos, de defensora dos interesses públicos. Com o tempo a mídia foi se tornando parte do poder. Hoje, já virou graxa da máquina capitalista, fazendo o jogo das elites, sendo incorporada pelo grande capital.
A redução da informação à mercadoria, como previa a Escola de Frankfurt, nos anos 40, alterando valores e desgastando o saber coletivo, acaba por desencadear a necessidade de uma transformação da visão ontológica, recorrendo, muitas vezes, a primazia dos estudos metafísicos para que haja uma possível revolução nos costumes e uma revalorização da subjetividade do tecido de distribuição coletiva, dos valores morais e éticos.
O aparato tecnológico globalizado que sustenta a mídia reduziu o mundo a uma máquina consumista. Somos sugados por telas de computadores e transformados em fibras ópticas, em seres virtuais. O coletivo perde, dessa maneira, sua emoção, criatividade, sua essência. Progressivamente, nossa característica de animais políticos cede espaço para a uniformização do pensamento.
Nossa “liberdade” é conquistada através do acúmulo de informações que nos é enviado em um pacote mercadológico, à venda em qualquer HD de computador a preços cada vez mais acessíveis. Nossa produção é derivada do conhecimento adquirido através destas “mercadorias”. Somos inseridos na sociedade conforme nosso volume de compra: quanto mais alto, mais humano, mais inserido na organização mundial do ilusório cotidiano.
É verdade também que uma nova consciência está surgindo ante o absurdo quase irreversível que a máquina comunicacional já conseguiu estabelecer: uma espécie de escravidão demente e obtusa, não-governamental e com fins lucrativos. A citação de Rosa Luxemburgo define bem o momento: “Quanto mais negra é a noite, mais brilham as estrelas”. Estamos saindo do beco da finitude dos nossos desejos; acumulando forças para lutar e poder vislumbrar um horizonte novamente aberto, para que possamos, então, mergulhar novamente no poço raso da liberdade.
O ringue para o embate será travado dentro de cada arena cognitiva individual. Podemos vencer a guerra utilizando as próprias armas dos inimigos. O literal “feitiço” pode mesmo virar contra o feiticeiro. Será um combate solitário, embora o coletivo seja mesmo a grande força. Na bandeira do nosso exército da libertação estará escrito: Democracia Radical. As cores vermelhas simbolizarão o espírito revolucionário de que é necessário para esta virada radical na conjuntura do cotidiano vigente, sobre todas a vertentes e caminhos tortuosos de que possui.
Será uma luta contra um reinado poderoso, de um exército numeroso e invisível, com alto poderio tecnológico. Suas armas concretas se alastram pelas casas, cada vez mais. Sua ideologia é clara e nefasta, mas de grande habilidade para a manipulação e o convencimento. Será a luta do público, baseado na cooperação dos indivíduos, contra a dominação estatal ou privada, escondida sobre as estes do capitalismo.

MUDANDO DE CONVERSA: Coloquei aí mais 3 blogs muitíssimos bacana. O Pé Na Cova já estava há alguns dias. Traz umas crônicas e pontos de vistas muito interessantes. O Plublinsanidade é bem diversificado, recheado com poesias. O As Vacas Vão Pro Céu, é uma mistura de crítica e humor contagiante, sob forma de crônicas. Vale a pena a visita.................. Fim de semana meio xoxo, mas deu pra por em ordem minha vida doméstica.rs.. Dei uma boa lida no livro de Francisco de Assis e já estou para acabar. Surpreendo-me a cada dia................. Não tem jeito: toda vida q peço dicas de filmes num vem uma!..rs. Mas findei sem ir alugar mesmo................. Quem desejar adquirir os produtos institucionais da ong em que estagio (muito bacaninhas por sinal), é só entrar no site do Natal Voluntários que está aí em baixo, do lado direito. Lá tem todas as informações sobre os produtos. A renda obtida, lógico, será empregada na causa do voluntariado e na responsabilidade social...... Em meio a tanto concreto e cinza das capitais, deste mundo “desenvolvido”, como imaginar os cenários que essa música do Zé Geraldo desperta....

“O lírio dos campos trazidos pra cá pelas asas do vento. Um cheiro forte de capim e gordura nas ruas do centro. Os carneiros e cabras da casa do Zé pastando solenes na Av. São João. A Asa Branca trouxa pra cidade o luar do sertão. O gado passando as porteiras do Brás, e andando nas ruas. Um bando de colibris sugando o mel dos olhos do Cristo Redentor. No matagal da Av. Atlântica eu te encontrei. E ali mesmo, no meio do mato, aconteceu o amor”.

Zé Geraldo

enviada por Sérgio Vilar






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